PROJETO DE OPERAÇÃO DE REABILITAÇÃO URBANA DA FOZ VELHA
A CM Porto lançou um Programa Estratégico de Reabilitação Urbana (PERU), que enquadra a Operação de Reabilitação Urbana (ORU) da Foz Velha, que consiste numa intervenção integrada de reabilitação urbana dirigida à reabilitação do edificado, infraestruturas, equipamentos e espaços verdes e urbanos de utilização coletiva, visando a requalificação e revitalização do tecido urbano, associado a um programa de investimento público.
O período de discussão pública da proposta da ORU da Foz Velha decorreu no passado mês de abril, no qual a APA se envolveu, promovendo um inquérito aos seus Associados, analisando detalhadamente os documentos disponibilizados pela CM Porto, e por fim, tomando uma posição formal através da plataforma disponibilizada para o efeito.
Aproveitamos aqui para divulgar o resultado do inquérito e o documento com a posição da APA.
Posição da Associação Porto Atlântico sobre a ORU da Foz Velha
Porto, 27 de abril de 2026
1. Enquadramento
Na sequência do processo de consulta pública da Operação de Reabilitação
Urbana (ORU) da Foz Velha, a Associação Porto Atlântico promoveu um inquérito
aos seus associados, procurando desta forma conciliar os resultados deste
estudo com as opiniões recolhidas após análise do Grupo Técnico e dos Órgãos
Sociais da Associação.
2. Princípios Gerais
A Associação Porto Atlântico:
·
Reconhece a
necessidade de reabilitação urbana da Foz Velha;
·
Considera
positiva a existência de um programa estruturado de intervenção;
·
Entende,
contudo, que o modelo apresentado levanta reservas significativas quanto à sua
conceção, execução e impactos.
3. Principais Preocupações Identificadas
3.1. Défice de participação e transparência
·
Insuficiente
envolvimento dos cidadãos no processo, em particular na fase de diagnóstico;
·
Perceção de
falta de informação clara, acessível e detalhada;
·
Consideração
generalizada de que o período de consulta pública foi inadequado.
3.2. Mobilidade e acessibilidade
·
Ausência de um
estudo de mobilidade robusto que sustente as soluções propostas;
·
Risco de
agravamento do trânsito e congestionamento;
·
Redução de
acessos e estacionamento sem alternativas adequadas;
·
Impacto
potencial negativo na circulação, incluindo veículos de emergência.
3.3. Identidade e património
·
Receio de
descaracterização da Foz Velha;
·
Risco de
substituição ou alteração inadequada de edifícios históricos;
·
Preocupação
com intervenções que possam introduzir um “urbanismo genérico”;
·
Defesa da
preservação de materiais, traça urbana e calçadas tradicionais.
3.4. Escala e natureza das intervenções
·
Críticas à
dimensão e prioridade de algumas obras;
·
Perceção de
intervenções desnecessárias ou desproporcionadas;
·
Falta de
coerência global no plano.
3.5. Impacto social e modelo urbano
·
Preocupação
com processos de gentrificação e expulsão de residentes;
·
Rejeição de
modelos orientados para turismo excessivo;
·
Defesa da Foz
Velha como zona residencial equilibrada.
3.6. Espaço público e ambiente
·
Aceitação da
requalificação urbana, condicionada à preservação da identidade paisagística;
·
Preocupação
com alterações em jardins históricos e materiais tradicionais.
4. Avaliação Global
A Associação Porto Atlântico conclui que o programa é conceptualmente
positivo, mas operacionalmente pouco claro e insuficientemente fundamentado,
gerando falta de confiança.
5. Recomendações da Associação
5.1. Reforço do processo participativo
·
Alargamento do
período de consulta pública;
·
Promoção de
processos efetivos de participação dos residentes;
· Divulgação clara e acessível de toda a informação técnica.
5.2. Revisão do plano de mobilidade
·
Elaboração
prévia de um estudo de mobilidade rigoroso;
·
Garantia de
soluções equilibradas entre mobilidade pedonal, ciclável e automóvel;
·
Salvaguarda de
acessos, estacionamento e circulação funcional.
5.3. Proteção da identidade urbana
·
Preservação do
património edificado e da traça urbana;
·
Manutenção de
materiais tradicionais, nomeadamente calçadas;
·
Intervenções
de carácter conservador nos espaços públicos históricos.
5.4. Redimensionamento das intervenções
·
Adoção de uma
abordagem de “menos é mais”;
·
Prioridade à
reabilitação, manutenção e melhoria das infraestruturas existentes;
·
Reavaliação
das intervenções de maior escala ou impacto.
5.5. Avaliação de impactos sociais e económicos
·
Implementação
de medidas de mitigação da gentrificação;
·
Proteção da
função residencial da Foz Velha;
·
Equilíbrio
entre dinamização urbana e qualidade de vida dos residentes.
5.6. Clarificação técnica do plano
·
Simplificação
e detalhamento das propostas;
·
Apresentação
clara de custos, fases e impactos das intervenções.
6. Conclusão
A Associação Porto Atlântico considera que a ORU da Foz Velha deve ser
reorientada no sentido de uma intervenção mais participada, mais fundamentada
tecnicamente e mais respeitadora da identidade local, privilegiando uma lógica
de reabilitação qualificada em detrimento de transformação estrutural profunda.